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Atlético de Madrid decepciona na Alemanha: um empate que esconde problemas preocupantes

Por Eduardo António · 20 de outubro de 2026 · 51 leituras

O Atlético de Madrid empatou 1–1 com o Stuttgart, mas, na minha opinião, o resultado não deve esconder uma exibição que deixou muito a desejar.

 A equipa de Diego Simeone sofreu durante grande parte da primeira parte, dependeu das intervenções de Jan Oblak para evitar uma desvantagem maior e só conseguiu reagir depois do intervalo, com o golo de Julián Álvarez. Para um clube com a dimensão, a ambição e a história do Atlético, há motivos para preocupação.

O Atlético que vi em Estugarda não corresponde às ambições do clube

Vou ser direto: não considero este empate uma exibição satisfatória do Atlético de Madrid. Consigo reconhecer as dificuldades de jogar fora de casa na Liga dos Campeões, a qualidade do adversário e a pressão exercida pelo Stuttgart. Mas há uma diferença entre respeitar um adversário complicado e passar grande parte da primeira parte sem conseguir impor o próprio futebol.

O que mais me decepcionou foi a forma como o Atlético entrou em campo. A equipa alemã pressionou com intensidade, recuperou bolas em zonas perigosas e encontrou espaço para atacar. Os jogadores de Simeone tiveram enormes dificuldades para construir desde trás e, em vários momentos, pareciam não encontrar uma solução para ultrapassar a pressão adversária.

Aos 20 segundos, Oblak já tinha sido obrigado a fazer uma intervenção importante. Nos minutos seguintes, voltou a impedir que o Stuttgart marcasse. Na minha leitura, este detalhe resume bem o início do encontro: enquanto os alemães demonstravam iniciativa e agressividade, o Atlético procurava sobreviver.

Não espero que o Atlético domine todos os adversários durante os 90 minutos. Isso seria irrealista. O que espero é que uma equipa desta dimensão tenha um plano para responder quando encontra dificuldades. Em Estugarda, durante demasiado tempo, essa resposta não apareceu.

A dependência de Oblak não pode ser a solução

Jan Oblak voltou a demonstrar a sua importância, mas há um problema que não pode ser ignorado: quando um guarda-redes precisa de intervir repetidamente para manter a equipa no jogo, isso também revela dificuldades à sua frente.

Na minha opinião, o Atlético não pode transformar as grandes defesas de Oblak numa estratégia involuntária. O guarda-redes está lá para defender, naturalmente, mas não deve ser obrigado a compensar constantemente os erros de posicionamento, as perdas de bola e a incapacidade da equipa para controlar os ataques adversários.

O golo de Leweling, aos 36 minutos, nasceu precisamente de uma perda de bola de Pubill numa zona perigosa. O jogador do Stuttgart aproveitou a situação e colocou a equipa alemã em vantagem.

O erro individual foi evidente, mas considero insuficiente responsabilizar apenas Pubill. Quando uma equipa insiste em sair a jogar sob pressão, todos os jogadores precisam de estar preparados para executar esse processo. É necessário oferecer linhas de passe, movimentar-se para criar soluções e perceber quando vale a pena arriscar e quando é preferível jogar de forma mais simples.

O Atlético falhou nesse capítulo. E, quando os mesmos problemas de construção se repetem, já não estamos apenas perante um erro isolado: estamos perante algo que a equipa técnica precisa de analisar seriamente.

Julián Álvarez salvou um ponto, mas não apagou a primeira parte

O golo de Julián Álvarez, aos 47 minutos, foi um dos momentos mais positivos para o Atlético. Depois de uma primeira parte muito complicada, o argentino apareceu no início do segundo tempo para restabelecer a igualdade, aproveitando um passe rasteiro de Ademola Lookman.

Fiquei com a sensação de que aquele golo poderia mudar completamente o encontro. O Atlético regressou dos balneários com outra atitude, começou a encontrar mais espaços e conseguiu aproximar-se da baliza adversária com maior frequência.

Julián precisava de um momento destes. O golo pode representar um impulso importante para a sua confiança e para a relação com a equipa. Um avançado vive também dos momentos em que consegue transformar o trabalho realizado em campo num resultado concreto.

No entanto, não quero cometer o erro de avaliar toda a exibição apenas pelo golo do empate. Julián merece reconhecimento, mas o seu momento positivo não elimina as dificuldades coletivas que ficaram evidentes durante a primeira parte.

Na minha opinião, o Atlético precisa de fazer mais para que os seus jogadores ofensivos recebam a bola em condições favoráveis. Não basta esperar que Julián, Lookman ou outro talento resolva individualmente os problemas da equipa. O funcionamento coletivo deve criar as condições para que a qualidade individual faça a diferença.

A expulsão complicou tudo, mas não explica tudo

Aos 64 minutos, Hjulmand foi expulso após uma entrada dura sobre Stiller, deixando o Atlético em inferioridade numérica durante cerca de meia hora. A expulsão condicionou claramente o plano de Simeone e tornou muito mais difícil procurar a vitória.

Reconheço esse fator. Jogar com dez homens contra uma equipa intensa, num estádio onde o público empurra constantemente os jogadores da casa, é uma tarefa complicada. Depois da expulsão, o Atlético teve de reorganizar-se e concentrar-se mais na proteção da própria baliza.

Mas, na minha análise, seria um erro utilizar a inferioridade numérica como justificação para tudo o que aconteceu. O Atlético já tinha demonstrado dificuldades consideráveis antes desse momento. A primeira parte foi marcada por perdas de bola, problemas na saída e uma incapacidade evidente para controlar o ritmo imposto pelo Stuttgart.

A expulsão explica parte das dificuldades finais, mas não apaga os problemas anteriores.

Este é um ponto importante porque, se a análise se limitar ao cartão vermelho, o Atlético corre o risco de ignorar aquilo que realmente precisa de melhorar. A equipa tem de aprender a lidar com a pressão adversária e a construir o jogo com maior segurança, independentemente das circunstâncias.

Simeone precisa de encontrar respostas

Tenho respeito pelo trabalho de Diego Simeone e pelo que construiu no Atlético de Madrid. A sua história no clube não pode ser ignorada. Contudo, o respeito pelo passado não deve impedir uma avaliação crítica do presente.

Na minha opinião, o treinador precisa de encontrar soluções para uma equipa que, em determinados momentos, parece demasiado desconfortável quando é pressionada de forma agressiva. O Stuttgart mostrou que era possível retirar espaço ao Atlético, dificultar a circulação de bola e obrigar os jogadores a cometer erros.

É precisamente nestas situações que espero ver a capacidade de adaptação de um treinador. Se o adversário fecha os caminhos habituais, é necessário encontrar alternativas. Se a saída curta se torna demasiado arriscada, a equipa precisa de saber quando mudar o método. Se os médios não conseguem receber em condições, é preciso criar novas linhas de apoio.

Não estou a dizer que Simeone deve abandonar a sua identidade futebolística. Estou a dizer que a identidade de uma equipa não pode ser uma desculpa para a falta de soluções.

O Atlético tem jogadores com qualidade suficiente para apresentar um futebol mais consistente. O desafio está em conseguir que essa qualidade funcione de forma coletiva, sobretudo nos jogos em que o adversário não permite jogar confortavelmente.

Um ponto conquistado, mas uma oportunidade perdida

O empate por 1–1 deixa o Atlético com um ponto, mas, para mim, a questão principal não é apenas matemática. É perceber o que esta exibição nos diz sobre a equipa.

O Stuttgart mostrou intensidade, organização e coragem para pressionar. O Atlético respondeu com a experiência de Oblak, a capacidade de Julián Álvarez para aproveitar uma oportunidade e o esforço coletivo necessário para resistir depois da expulsão.

Há mérito nessa resistência. Ainda assim, não quero confundir resistência com domínio, nem esforço com qualidade de execução.

Um clube com as ambições europeias do Atlético deve procurar mais do que passar grande parte de uma partida a tentar sobreviver. É necessário saber sofrer, mas também saber controlar, construir e impor condições ao adversário.

A minha maior preocupação é que os problemas apresentados em Estugarda não sejam tratados como um episódio isolado. Se o Atlético continuar a perder bolas em zonas perigosas e a demonstrar dificuldades perante uma pressão intensa, outros adversários poderão explorar as mesmas fragilidades.

E tu, como avalias esta exibição? Acreditas que o Atlético conquistou um ponto importante graças à sua capacidade de resistência ou consideras que a equipa voltou a demonstrar problemas preocupantes sob o comando de Simeone? Deixa a tua opinião nos comentários.

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